Quem é o professor Benjamin?

Prazer, sou o Benjamin!

Uma selfie minha dando aula em frente ao computador, com um quadro branco ao fundo.
Dando aula online – Foto do final de 2020

Minha paixão por línguas asiáticas começou aos 12 anos, em 2002, quando comecei a estudar japonês e chinês mandarim por meio de uma plataforma online. Aos 17, passei a estudar ambas as línguas na FFLCH / USP.

Já aos 18 anos, em 2008, comecei a dar aula de inglês, tendo passado por diversas escolas.

Minha especialidade acadêmica é o kanji, os ideogramas chineses usados na língua japonesa. No ano de 2010, desenvolvi um projeto de iniciação científica com esse tema.

Em meados de 2015, tive minhas primeiras experiências como intérprete entre japonês e português.

Em 2017, decidi começar a deixar de lado a língua inglesa para perserguir minha verdadeira paixão: ensinar japonês e mandarim.

Junto com o ano novo chinês em 2018, vieram minhas primeiras experiências como intérprete entre chinês mandarim e português.

Confira um pouco da minha história neste vídeo de agradecimento aos alunos pelo ano de 2020:

Já trabalhei, de forma presencial, em escolas tanto na capital paulista quanto no interior de São Paulo. Veja aqui o que alguns dos alunos têm a dizer sobre minhas aulas.

Ano novo chinês e alguns provérbios

O último dia 12 de fevereiro foi o ano novo chinês e o ano do boi começou. Os nascidos no ano do boi são confiáveis, fortes, justos e pacientes.

Uma curiosidade sobre o presente ano é que este não tem um período chamado 立春 (lido lìchūn em mandarim e risshun em japonês, significa “início da primavera”), que marca o renascimento da natureza e renovação das coisas. Na história chinesa, o ano de 1901 também foi um ano similar. Foi quando o governo chinês se viu obrigado a assinar um tratado com nações imperialistas após derrota na Guerra dos Boxers.

De todo modo, na vida sempre devemos dar o nosso melhor em tudo, e neste ano não faremos diferente, não é?

Feliz ano novo! 新年快乐!xīn nián kuàile!

Em japonês, o ano novo lunar é chamado de 旧正月 kyuushougatsu.
Em japonês, existe a expressão 謹賀新年 kinga shinnen, significando “feliz ano novo”, além de 新年明けましておめでとうございます shinnen akemashite omedetou gozaimasu.

Mudando de assunto, vocês devem ter acompanhado meus últimos posts sobre provérbios. Confira-os no vídeo abaixo e me diga qual é seu favorito!

Por que chinês mandarim tem entonações?

Vamos olhar para o passado para responder esta pergunta.

Uma parte considerável dos linguistas acredita que chinês antigo não tinha entonações (chinês antigo se refere ao estágio da língua chinesa na época de 孔子 Confúcio, 551 – 479 ac).

Acredita-se que os tons tenham aparecido em algum estágio entre o chinês antigo e o chinês medieval (sendo que o conhecimento deste último é baseado no dicionário de rimas 切韵 Qièyùn, do ano 601).

O passar do tempo e diversas influências causam mudanças na línguas. Nenhuma língua no mundo está livre de sofrer este processo natural. Tal processo pode incluir a mudança de consoantes no começo da sílaba (“b” para “p”, por exemplo), ou a queda de sons no final da sílaba, por exemplo.

No caso do chinês, acredita-se que a extinção de uma pausa glotal no final das palavras no chinês antigo tenha dado origem à entonação crescente no chinês medieval. Igualmente, acredita-se que a extinção de um “s” no final da sílaba tenha dado origem à entonação decrescente.

Palavras que não terminavam com nenhum dos dois acima assumiram entonação plana no chinês medieval.

É importante ressaltar que o chinês mandarim que se fala hoje em dia, assim como outras línguas da China, têm suas origens no chinês medieval que mencionamos acima.

As entonações já fazem parte das línguas da China há quase 2 mil anos! 

Você sabe qual é a origem do hiragana?

A língua japonesa usa em sua escrita três sistemas de escrita concomitantemente: kanji, hiragana e katakana. Vamos falar um pouco sobre o silabário hiragana, que é o primeiro passo para aprender a escrita da língua japonesa. Enquanto em kanji, o ideograma chinês, uma letra equivalerá a uma palavra ou uma noção, hiragana é um silabário, ou seja, uma letra equivale a uma sílaba.

Logo quando os kanji 漢字 (ideogramas ou letras chinesas) foram importados da China para o Japão no século V, os japoneses escreviam somente em kanji.

Com o passar do tempo, deixaram de usar os ideogramas chineses pelo seu valor semântico e passaram a usá-los simplesmente por seu som. Assim nasceu um sistema chamado man’yôgana 万葉仮名, usado na obra man’yôshu 万葉集, no ano 759.

As letras man’yôgana tornaram-se cursivas com o passar do tempo, e daí nasceu o silabário hiragana. No século X, seu uso era comum.

Provérbios Japoneses: 石の上にも三年 Ishi no Ue ni mo Sannen

Este provérbio significa, literalmente, “em cima da pedra por três anos”. Isto quer dizer que se você ficar em cima de uma pedra fria por três anos, ela vai se aquecer com o calor do seu corpo. É usado para dizer que é suportando os tempos difíceis e adversidades que se alcança bons frutos e resultados. Resiliência é tudo.
A origem deste provérbio se encontra na prática do Zen budismo, em que os monges meditavam sentados para obter a iluminação. Em que área da sua vida você poderia aplicar a sabedoria deste provérbio?

Provérbios Chineses: 知难而退 zhī nán ér tuì

 知难而退 zhī nán ér tuì ~ é um provérbio de quatro caracteres (成语 chéngyǔ) que significa “reconhecer as dificuldades e retroceder”. É usado para dizer que devemos poder perceber quando uma situação é impossível de se lidar e que devemos saber a hora de voltar atrás.
Sua origem está no Período das Primaveras e Outonos da China (770 – 403 ac). Os grandes reinos Jin e Chu viviam em guerra por supremacia. Um reino menor, Zheng, ora se aliava a Jin, ora se filiava a Chu.

Eventualmente, o reino Chu atacou Zheng. Jin ficou sabendo e enviou seu exército ao auxílio do pequeno reino. Entretanto, neste meio tempo, Zheng e Chu firmaram um acordo de paz e cooperação. Ao saber disto, um líder militar de Jin “não é possível vencê-los juntos, é melhor retroceder”.
Em que área da sua vida você pode aplicar a sabedoria deste provérbio?

Por que os kanji 漢字 em japonês têm várias leituras?

Para responder esta pergunta, debrucemo-nos sobre a história no Japão dos kanji 漢字 (letras ou ideogramas chineses).
O Japão importou a escrita chinesa por volta do século V e consigo a pronúncia chinesa daquelas letras. Emissários japoneses iam à China para estudar cultura, filosofia, medicina, confuncionismo, entre outros, frequentemente em locais diferentes daquele país, em que as letras eram pronunciadas de maneiras diferentes umas das outras.
Por exemplo, um mesmo kanji pode ter pronúncias diferentes em japonês, de acordo com a época e a região da China de que ele foi importado.
As leituras que vieram da China e da península coreana e então adaptadas à pronúncia japonesa são chamadas “on’yomi”.

As letras chinesas importadas no Japão também foram traduzidas em japonês. Essa leitura é chamada de “kun’yomi”.

Portanto, uma boa parte dos kanji em japonês terá duas leituras: kun’yomi e on’yomi. Por exemplo, a letra 人 (pessoa) tem as leituras kun’yomi: hito, -ri e -to, e as leituras on’yomi: jin e nin.

Em chinês mandarim, por outro lado, 90% das letras têm apenas uma leitura possível.

Provérbios Chineses: 画饼充饥 huà bǐng chōng jī

画饼充饥 huà bǐng chōng jī ~ é um provérbio de quatro caracteres (成语 chéng yǔ) que significa, literalmente, “desenhar uma panqueca para matar a fome”. É usado em sentido figurado com o sentido de que “ter pensamentos ou expectativas sem conexão com a realidade não serve para nada além de consolo”, assim como o desenho de uma panqueca não mata a fome. Sua origem está no reino Wei do Período dos Estados Combatentes (475 – 221 ac). Em que área da sua vida você poderia aproveitar a sabedoria deste provérbio?